• Bem vindo à Clinica de Infectologia Dr. Lambertucci

A Esquistossomose Mansônica é doença causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni – que vive no sangue do hospedeiro definitivo. A doença tem evolução clínica que varia de formas assintomáticas até outras muito graves.

Diagnóstico
1. O exame de fezes deve ser solicitado para confirmar o diagnóstico. Em pacientes moradores de cidades ou nos hospitais, o método de escolha chama-se Hoffman-Pons-Jenner (HPJ). O método de Kato modificado por Katz tem utilidade em áreas endêmicas do interior (levantamento epidemiológico).
2. A infecção provoca eosinofilia no sangue. A eosinofilia é maior na fase aguda da doença.
3. Em alguns casos a biópsia retal ou de outros tecidos definem o diagnóstico.
4. Se o teste rápido de urina resultar positivo (POC-CCA – point of care-circulating cathodicantigen) suspeita-se de esquistossomose ativa.

Tratamento: Praziquantel (50 mg/kg/dia em dose única.

Veja a classificação clínica da doença abaixo.

  • Aguda
  • Crônica
    Hepatointestinal
    Hepatoesplênica
  • Outras formas
    Hipertensão pulmonar
    Neuroesquistossomose
    Associação a bactérias (Salmonella, Staphylococcus aureus)
    Glomerulonefrite
    Esquistossomose no imunocomprometido
    Ectópica (pele, nódulos pulmonares, testículos, próstata, ovário, útero, vulva)

 

Figura 5. Casal de vermes adultos. Eles vivem nas veias mesentéricas e produzem 300 ovos por dia. São eles os principais causadores das lesões encontradas no hospedeiro.

Ovo de Schistosoma mansoni

Estima-se a prevalência da esquistossomose mansoni no Brasil, entre 5-7 milhões de pessoas infectadas.

Neuroesquistossomose do cérebro e da medulla espinhal (mielorradiculopatia)
A mielorradiculopatia esquistossomótica (MRE) é a forma ectópica mais grave e incapacitante da infecção pelo Schistosoma mansoni, porém sua prevalência em áreas endêmicas tem sido subestimada. O reconhecimento dessa doença e a instituição precoce do tratamento desempenham papel fundamental na prevenção de lesões graves e irreversíveis, assim como na recuperação das pessoas acometidas, em geral jovens em plena fase produtiva. O diagnóstico se baseia na presença de sintomas neurológicos
decorrentes de lesões.

Ressonância magnética da medula espinal.

Figura 7. Ressonância magnética da medula espinal. A seta branca indica a região da medula que se mostra alargada pelo processo inflamatório em torno de ovos de Schistosoma mansoni.

Paciente Paraplégico

Figura 8. Paciente paraplégico. A seta branca indica a bolsa de coleta de urina que está na bexiga.

 

Figura 9. Paciente anda pela primeira vez durante o tratamento. Ao lado, a imagem de ressonância magnética da medula espinhal revela pontos brancos que correspondem aos ovos do Schistosoma mansoni.

Trombose da veia porta

TROMBOSE DA VEIA PORTA (SETAS BRANCAS) (RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE ABDÔMEN)

REFERÊNCIAS

Lambertucci JR et al. Guia de vigilância epidemiológica e controle da melorradiculopatia esquistossomótica. Ed. Ministério da Saúde. Primeira edição. 27pp, 2006. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/07_0061_M.pdf

LAMBERTUCCI, J. R. et al. Schistosoma mansoni: assessment of morbidity before and after control. Acta Tropica, [S.l.], v. 77, p. 101-109, 2000.

Lambertucci JR. Schistosoma mansoni: pathological and clinical aspects. In P Jordan, G Webbe (eds.), Human schistosomiasis, Cab International, Wallingford, p. 195-225, 1993.

Lambertucci JR. Acute schistosomiasis mansoni: revisited and reconsidered. Mem Inst Oswaldo Cruz, 105:422-435, 2010.

Ferreira FT. Sensitivity and specificity of the circulating cathodic antigen rapid urine test (POC-CCA) in the diagnosis of Schistosomiasis mansoni infection and evaluation of morbidity in a low- endemic area in Brazil. Rev Soc Bras Med Trop 50(3):358-364, 2017.