Febre
Febre é o aumento da temperatura do corpo acima do limite normal em resposta a uma doença ou perturbação orgânica quando controlado pelo hipotálamo. Os valores normais indicados na literatura médica variam entre 35,0 ºC e 37,5 ºC (temperatura axilar).
Termômetros
Há vários aparelhos. Todos aferem a temperatura da pele. Não medem a temperatura do hipotálamo e, portanto, confunde-se aumento da temperatura da pele com aumento da temperatura do corpo. A temperatura elevada da pele (obtida pelos termômetros) deve ser chamada de hipertermia e não de febre. As implicações destes conceitos são importantes. A elevação da temperatura da pele pode ocorrer nas seguintes situações: exercício físico, temperatura ambiente elevada, saunas,
relação sexual, ovulação na mulher, trabalho em ambientes quentes (alto fornos), uso exagerado de agasalhos. Somente quando há elevação do termostato hipotalâmico se pode dizer que há febre.
Febre de Origem Indeterminada (FOI)
A febre de origem indeterminada clássica é definida pela presença de temperatura axilar maior do que 37,8ºC, em várias ocasiões, pelo tempo mínimo de três semanas e que se mantém sem causa aparente após uma semana de investigação hospitalar.
A febre de origem indeterminada é classificada, atualmente, em 4 categorias diferentes:
- Febre de origem indeterminada clássica: febre por > 3 semanas, sem se descobrir a causa após uma semana de investigação hospitalar.
- Febre de origem desconhecida associada a cuidados de saúde: febre em pacientes hospitalizados recebendo atendimento intensivo e sem presença de infecção, ou infecção incubada na internação, se o diagnóstico permanecer incerto após 3 dias de avaliação apropriada.
- Febre de origem obscura com imunodeficiência: febre em pacientes com neutropenia e outras imunodeficiências se o diagnóstico permanecer incerto depois de 3 dias de avaliação adequada, incluindo culturas negativas após 48 h.
- Febre de origem desconhecida relacionada com HIV: febre por > 3 semanas em pacientes ambulatoriais com infecção por HIV confirmada ou > 3 dias em pacientes internados com infecção por HIV confirmada se o diagnóstico permanecer incerto após avaliação adequada.

Aferir a temperatura da pele, exigida em vários locais (lojas, bares, shoppings, bancos, igrejas, festas, aeroportos), durante a epidemia de coronavírus é um erro significativo. As consequências são desastrosas: adquirir termômetros e exigir o seu uso em vários ambientes, burla a população. Prescrever medicamentos inócuos para abaixar a temperatura denota desconhecimento ou má-fé. Impressiona muito o procedimento ter tido aceitação universal (diferentes países e órgãos de saúde, incluindo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde).
Termômetros de sensor infravermelho, digitais e de mercúrio

Mecanismos imunológicos da febre

Mecanismo de febre se o agente for bactéria Gram + ou Gram -

Mecanismo da febre no frio e no calor.jpg

Termômetro de mercúrio

São vários tipos de termômetros, eles podem ser de mercúrio, digitais ou por sensores e captam temperaturas em diferentes lugares, podendo ser utilizados nas axilas, orelhas, boca, reto e até mesmo sem qualquer contato com o paciente.
REFERÊNCIAS
Lambertucci JR. Febre: Diagnóstico e Tratamento. Edição 1. Editora Medsi; Editora Médica e Científica Ltda. 1991, 321pp.
Lambertucci JR, Avila RE, Voieta I. Febre de origem indeterminada em adultos [Fever of unknown origin in adults]. Rev Soc Bras Med Trop. 2005 Nov-Dec;38(6):507-13. Portuguese. doi: 10.1590/s0037-86822005000600012. Epub 2006 Jan 4. PMID: 16410928.
Bartfai T, Conti B. Fever. Scientific World Journal. 2010 Mar 16;10:490-503. doi: 10.1100/tsw.2010.50. PMID: 20305990; PMCID: PMC2850202.
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