Influenza é uma infecção respiratória viral que causa febre, coriza, tosse, cefaleia e mal-estar. Mortalidade é possível durante epidemias, em particular entre pacientes de alto risco (p. ex., aqueles que são institucionalizados, em idades extremas, com insuficiência cardiopulmonar ou em gestação avançada); durante pandemias até mesmo pacientes jovens e saudáveis podem morrer. O diagnóstico é normalmente clínico. Deve-se administrar a vacina contra influenza anualmente a todos os pacientes com ≥ 6 meses de idade que não tenham contraindicação. Tratamento antiviral reduz a duração da doença em cerca de 1 dia e deve ser especificamente considerado para pacientes de alto risco.
Antígenos para influenza: A hemaglutinina (H) é uma glicoproteína de superfície do vírus da influenza que lhe permite ligar-se ao ácido siálico celular e fundir-se com a membrana celular do hospedeiro. A neuraminidase (NA), outra glicoproteína de superfície, remove enzimaticamente o ácido siálico, promovendo a liberação viral da célula hospedeira infectada.
Variação antigênica refere-se ao surgimento relativamente raro de novas combinações dos antígenos H e/ou NA, resultante do rearranjo das subunidades do genoma viral. Pandemias podem resultar do deslocamento antigênico porque os anticorpos contra outras cepas (resultante de vacinação ou infecção natural) oferecem pouca ou nenhuma proteção contra a nova cepa.
As pandemias são muito menos comuns. Até 2020, houve 6 grandes pandemias, em geral nomeadas de acordo com o local presumido de origem: 1889: gripe russa (H2N2); 1900: antiga gripe de Hong Kong (H3N8); 1918: gripe espanhola (H1N1); 1957: gripe asiática (H2N2); 1968: gripe de Hong Kong (H3N2): 2009: gripe suína (influenza A) [H1N1].
Vírus da influenza podem se disseminar por gotículas transportadas pelo ar, contato interpessoal, contato com itens contaminados. A transmissão pelo ar parece ser o mecanismo mais importante.
Grupos de alto risco
Crianças < 5 anos; crianças < 2 anos têm risco particularmente alto; Adultos > 65 anos; Pacientes com distúrbios médicos crônicos (p. ex., doença cardiopulmonar subjacente, diabetes melito, insuficiência renal ou hepática, hemoglobinopatias, imunodeficiência); mulheres no 2º ou 3º trimestre de gestação;
Sinais e sintomas da influenza
O período de incubação da influenza varia de 1 a 4 dias. Em casos leves, muitos sintomas são semelhantes a um resfriado comum.
Influenza típica em adultos é caracterizada pelo início súbito com calafrios, febre, prostração, tosse e dores generalizadas (especialmente nas costas e nas pernas). A cefaleia é proeminente, com frequência com fotofobia e dor retrobulbar. Sintomas respiratórios podem ser leves no início, com dor de garganta, queimação retroesternal, tosse não produtiva e, algumas vezes, coriza. Em seguida, doença do trato respiratório inferior se torna dominante; a tosse pode ser persistente, irritativa e produtiva.
Pode haver sinais e sintomas gastrintestinais, aparentemente mais comuns com a cepa H1N1 da pandemia de 2009.
Complicações: Pneumonia é sugerida por piora da tosse, hemoptoicos, dispneia e estertores. Pneumonia bacteriana secundária é sugerida por persistência ou recorrência de febre e tosse, após a doença primária parecer ter sido resolvida.
Diagnóstico da influenza: Avaliação clínica; teste molecular; oximetria de pulso e radiografia de tórax. O diagnóstico da influenza geralmente é clínico para pacientes com uma síndrome típica quando se sabe que a influenza está presente na comunidade.
Testes por reação em cadeia de polimerase da transcriptase reversa (PCR-TR) são sensíveis e específicos e podem diferenciar os tipos e subtipos da influenza. Se esse teste estiver rapidamente disponível, pode-se usar os resultados para determinar o tratamento antiviral apropriado. A cultura de swabs ou aspirados nasofaríngeos demora vários dias e não é útil para as decisões de conduta para com o paciente.
Pacientes com sinais e sintomas do trato respiratório inferior (como dispneia, hipoxia ou estertores no exame pulmonar) devem fazer oximetria de pulso para detectar hipoxemia e radiografia de tórax para detectar pneumonia. Pneumonia primária por influenza aparece tipicamente como infiltrado intersticial difuso. Pneumonia bacteriana secundária é provavelmente lobar ou segmentar.
Prognóstico da influenza
A maioria dos pacientes se recupera inteiramente, embora a recuperação completa costume levar 1 ou 2 semanas. Terapia antibacteriana apropriada diminui a taxa de mortalidade de pneumonia bacteriana secundária.
Em geral, a letalidade dos casos é baixa (p. ex., < 1%). O CDC americano estima nos EUA > 700.000 hospitalizações e 50.000 mortes resultem da influenza sazonal; a incidência é maior nos pacientes > 65 anos de idade.
Referências sobre prognóstico
1. Dawood FS, Iuliano AD, Reed C, et al: Estimated global mortality associated with the first 12 months of 2009 pandemic influenza A H1N1 virus circulation: A modelling study. Lancet Infect Dis12 (9):687–695, 2012. doi: 10.1016/S1473-3099(12)70121-4.
2. Centers for Disease Control and Prevention: 2009 H1N1 Pandemic (H1N1pdm09 virus).
Tratamento da Gripe: Tratamento sintomático. Algumas vezes antivirais.
O tratamento da maioria dos pacientes com influenza é sintomático; repouso, hidratação e antitérmicos como necessário, mas evita-se o ácido acetilsalicílico para os pacientes com ≤ 18 anos de idade. Infecções bacterianas complicadas requerem antibióticos apropriados.
Fármacos para influenza: Fármacos antivirais diminuem ligeiramente a duração da febre, a gravidade dos sintomas e o tempo para retornar às atividades normais quando administradas dentro de 1 a 2 dias após o início dos sintomas. Geralmente, recomenda-se o tratamento com antivirais para os pacientes de alto risco (incluindo todos os pacientes hospitalizados) com sintomas gripais; essa recomendação baseia-se em dados que sugerem que o tratamento precoce pode evitar complicações nesses pacientes.
OBS: Muitos médicos evitam o uso de antivirais contra a influenza. A eficácia é baixa, a urgência do início do tratamento (até 2 dias após o diagnóstico) e o grande número de efeitos colaterais não aprovam o seu uso.
Os fármacos para influenza compreendem:
Oseltamivir, zanamivir e peramivir (inibidores de neuraminidase);
Baloxavir (novo inibidor da endonuclease)
Os inibidores de neuraminidase interferem na liberação do vírus influenza de células infectadas e, assim, detêm a disseminação da infecção.
Tamiflu (Osetalmivir)
O Tamiflu é um remédio antiviral que tem fosfato de oseltamivir na sua composição que age impedindo a multiplicação e bloqueando as ações dos vírus da gripe influenza A e B, incluindo dos vírus Influenza A H1N1 ou H3N2.
Esse remédio pode ser encontrado em farmácias ou drogarias na forma de cápsulas contendo 30, 45 ou 75 mg de fosfato de oseltamivir, e pode ser usado por adultos ou crianças com mais de 1 ano, com indicação e orientação médica.

Gripe espanhola 1918 Vinte milhões de mortos
Imagem da pandemia da gripe espanhola de 1918. O ginásio de esportes da Universidade do Estado de Iowa (EUA) foi transformado em enfermaria para recuperação dos doentes.
Genoma da gripe (H3N2)

Genoma da gripe (H3N2)

Genoma da gripe (H3N2)

Representação do vírus

Proteinas do vírus

Virus multiplicam nas vias aéreas

Virus-H1N1

Gripe-Suina

Gripe-Suina

Máscaras contra a gripe, peste, COVID

Máscaras para proteção contra COVID

Influenza Espanhola

Gripe Espanhola em 1918

Gripe Espanhola

Gripe Espanhola

Gripe Espanhola

Gripe Espanhola

Pneumonia no curso da gripe

Pneumonia intersticial

Envolvimento pulmonar no curso da gripe.

Pneumonia intersticial nas doenças virais do pulmão

Pneumonia intersticial nas doenças virais

Pneumonia viral complicada com doença bacteriana

Sintomas e sinais nas pneumonias bacterianas

Pneumonia bacteriana grave

Pneumonia bacteriana grave

Folguedos

Alvéolos pulmonares cheios e vazios

Alvéolos pulmonares cheios e vazios

Alvéolos pulmonares cheios e vazios

Alvéolos pulmonares cheios e vazios

Alvéolos pulmonares cheios e vazios

Alvéolos pulmonares cheios e vazios

REFERÊNCIAS
GRIPE (INFLUENZA)
22ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza. Ministerio da Saúde. 30pp. 2020. https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/informe-tecnico-ms-campanha-influenza-2020-final.pdf
Informe Epidemiológico Final 2019 – Vigilância da Influenza Vigilância Universal da Influenza. Estado de Santa Catarina Secretaria de Estado da Saúde Superintendência de Vigilância em Saúde. 13pp. 2019. http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/boletim2020/boletimgripe2019/Boletim%20Epidemiol%C3%B3gico%20Influenza%20Final.pdf

