Zika é um flavivírus, doença transmitida pelos mosquitos Aedes e relacionada ao vírus do Dengue. Confinada à África e Asia o vírus foi descrito em 1947 e 1952 nas florestas em Uganda. A doença se espalhou.
Surtos iniciais apresentavam doença febril aguda e mialgias em adultos e a infecção viral disseminou-se para as regiões tropicais e subtropicais em todo o mundo. Complicações pós infecciosas revelaram: síndrome de Guillain-Barré e microcefalia, transmissão sexual, e transmissão vertical em mulheres grávidas.
O maior surto epidêmico da doença no Brasil (entre 2015 e 2016) ocorreu em 2.751 pessoas (subestimado). Destaque para a cidade de Camaçari na Bahia.
Atenção 1: Em adultos a infecção é assintomática em 80% dos casos. Em grávidas, 20% dos fetos com Zika desenvolvem anormalidades neurológicas graves.
Atenção 2: Não existe tratamento ou vacina para a infecção pelo vírus ZIKA.

SÍNTESE
Epidemiologia – Surtos de infecção pelo vírus da Zika ocorreram em África, sudeste da Ásia, Ilhas do Pacífico, as Américas e Caribe. Em 2015 e 2016 ocorreu o surto da Febre Zika nas Américas, Caribe e no Pacífico. O vírus da Zika é transmitido ao homem pela picada do mosquito Aedes infectado. Este mosquito pica o hospedeiro durante o dia e reproduz em vasilhame descartado contendo água parada (os utensílios são feitos pelo homem).

Manifestações clínicas – O início é agudo com febre baixa e exantema maculopapular pruriginoso, artralgia (pequenas articulações das mãos e pés), conjuntivite não purulenta; a presença de duas ou mais sintomas clínicos sugere a infecção pelo vírus Zika. Microcefalia congênita, abortos e síndrome de Guillain-Barré também sugerem a doença viral.
Evolução clínica – O período de incubação após a picada do inseto ocorre entre 2 a 14 dias. A doença é de apresentação leve; as manifestações clínicas desaparecem entre 2 e 7 dias. Infecção assintomática é comum. Os sintomas surgem em 20 a 25% dos pacientes infectados pelo vírus Zika. Uma vez infectados, eles passam a adquirir proteção contra infecções futuras.
Diagnóstico –O diagnóstico de suspeita se impõe quando há manifestações clínicas e exposição do contato com o vírus óbvia (residência ou viagem para áreas de transmissão do vírus Zika), ou relação sexual desprotegida com pessoas que apresentam os critérios da infecção viral.
O diagnóstico é confirmado usando exames de laboratório (RT-PCR = Real Time -Polimerase Chain Reaction ou Reação em Cadeia de Polimerase) – teste para RNA da Zika (no soro, urina ou sangue total. O diagnóstico depende do tempo da realização do exame após o início dos sintomas (ver algoritmo).
O diagnóstico é confirmado usando exames de laboratório (RT-PCR = Real Time -Polimerase Chain Reaction ou Reação em Cadeia de Polimerase) – teste para RNA da Zika (no soro, urina ou sangue total. O diagnóstico depende do tempo da realização do exame após o início dos sintomas (ver algoritmo).

Tratamento – Não existe tratamento para o vírus ZIKA. Não há também vacina para prevenção da doença. Tratamento sintomático quando possível. Medidas preventivas incluem: impedir o contato com o mosquito e eliminar os locais de criadouros do mosquito.

Transmissão sexual – Em áreas endêmicas de transmissão ativa do vírus ZIKA, é prudente se abster da atividade sexual (vaginal, anal e oral) ou usar barreiras de proteção enquanto persistir transmissão ativa. Em áreas sem transmissão do vírus ZIKA deve-se evitar a transmissão: (1) no homem (sintomático ou não) deve-se esperar 3 meses após contato ou diagnóstico da doença; (2) na mulher esperar 2 meses após o início dos sintomas ou usar proteção na relação sexual.

ZIKA Informações gerais
Em 2015, o vírus zika se tornou um problema de saúde pública, começando na América do Sul e depois se espalhando para mais de 94 países. Descoberto pela primeira vez em 1947 em Uganda (África), não foi considerado uma ameaça à saúde humana até os surtos registrados nos anos 2000.
No Brasil, houve a notificação de aproximadamente 214 mil casos prováveis de zika em 2016. No ano seguinte, foram 17 mil registros, caindo para 8 mil, em 2018. De janeiro a maio deste ano, segundo o Ministério da Saúde, são 2.006 casos prováveis.
O aumento de registros de zika veio acompanhado do crescimento de microcefalia, um raro distúrbio neurológico no qual o cérebro do bebê não se desenvolve completamente. Somente em 2015 foram mais de 2.400 registros de microcefalia no país. Antes, entre 2010 e 2014, haviam sido notificados 781 casos em todo o período.
A epidemia de zika no Brasil ocorreu em regiões historicamente endêmicas para o dengue. Os dois vírus (ambos do gênero Flavivirus) têm o mesmo vetor de transmissão, o Aedes, e os sintomas das doenças também são semelhantes (febre, dor de cabeça, vermelhidão nos olhos, dores nas articulações e manchas no corpo).
Apesar de a infecção por zika ser geralmente assintomática, dados recentes mostram a ligação entre a doença e o desenvolvimento de síndromes neurológicas, como a de Guillain-Barré, encefalite e meningite em adultos e malformações congênitas, como a microcefalia, em recém-nascidos. Ficou demonstrado que o vírus pode atravessar as barreiras cerebrais e placentárias atingindo nesse caso os tecidos fetais.
REFERÊNCIAS
Petersen LR, Jamieson DJ, Powers AM, Honein MA. Zika Virus. N Engl J Med 2016; 374:1552.
Musso D, Gubler DJ. Zika Virus. Clin Microbiol Rev 2016; 29:487.
Baud D, Gubler DJ, Schaub B, et al. An update on Zika virus infection. Lancet 2017; 390:2099.
Musso D, Ko AI, Baud D. Zika Virus Infection – After the Pandemic. N Engl J Med 2019; 381:1444.
World Health Organization. Emergencies: Zika situation report. http://www.who.int/emergencies/zika-virus/situation-report/31-march-2016/en/ (Accessed on April 01, 2016).
World Health Organization. Consensus on causal link between Zika and neurological disorders. http://www.euro.who.int/en/health-topics/emergencies/zika-virus/news/news/2016/04/consensus-on-causal-link-between-zika-and-neurological-disorders (Accessed on April 11, 2016).
World Health Organization. Zika situation report. http://www.who.int/emergencies/zika-virus/situation-report/7-april-2016/en/ (Accessed on April 18, 2016).
Modena, JLP, et al. Gas6 drives Zika virus-induced neurological complications in humans and congenital syndrome in immunocompetent mice. Brain, Behavior, and Immunity: 97, 2021, pp. 260-274.






















